domingo, 14 de junho de 2009

Há lugar

Aqui estou, oficialmente limpa:


Lavei o cabelo duas vezes, usei um sabonete novo e esfoliei a pele. passei um óleo com cheiro de menta. Só estou para mim mesma. Verterei com delicadeza e sem pressa um chá de camomila. Assim limparei minha alma.

Deixo-me aqui quieta e sei que um dia me curo.
Quando estiver tudo calmo, tudo claro,
Anunciarei, então, finalmente

que há local na minha mesa.
há lugar na minha poesia.
e novas músicas vão me embalar.

sábado, 13 de junho de 2009

Teodoro

Poeminha

Falo pouco,
Sentido, faço menos ainda.
Mas ouço sons
e leio poemas
Que traduzem a ternura mais funda
do meu peito.
Reutilizei,
por exemplo, o verbo
Te adorar. De Bandeira.
Intransigente:
Teadoroteodoro.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

la solitudine

cada vez mais sozinha

quarta-feira, 10 de junho de 2009

De 2000 ou 2001, da vocação e da falta de colo

Mais uma raridade:
(postei para um amigo no Msn e estou colando aqui)

Manuely (F) diz (09:29):
*As pessoas passam. Elas andam mas elas esquecem da menina de suéter azul e do olhar de morte. A menina do suéter azul e olhar de morte está bem no meio dos pedestres. Um preto gordo passa e olha, uma velha magra passa e olha, a madame passa e olha. Mas ninguém vê a menina de suéter azul e olhar de morte.Ninguém quer ver, mas ela está em todo lugar. A morte nos olhos da menina transmitem alegria. Ela prova suja o suéter com sorvete de pistache. A menina se sente invisível, saem os mariscos, saem os cachorros. A menina desce a ladeira e grita bem alto. Grita, grita e grita. O que se sabe bem é que a menina não sabe que ninguém consegue escutá-la. Tudo isso por causa do medo que os pedestres sentem da verdade.
*na outra página é que tem
*"Nunca deduza o que ainda não deduziram"

Manuely (F) diz (09:30):
*acho q minha vocação pra ser psicoterapeuta meio q ja gritava desde esse tempo aí :P
Golbery diz (09:32):
*A menina de sueter azul só queria colo.
*Faltou essa frase no texto.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Retrato em Branco e Preto

Composição: Chico Buarque

Já conheço os passos dessa estrada
Sei que não vai dar em nada
Seus segredos sei de cor
Já conheço as pedras do caminho,
E sei também que ali sozinho,
Eu vou ficar tanto pior
E o que é que eu posso contra o encanto,
Desse amor que eu nego tanto
Evito tanto e que, no entanto,
Volta sempre a enfeitiçar
Com seus mesmos tristes, velhos fatos,
Que num álbum de retratos
Eu teimo em colecionar

Lá vou eu de novo como um tolo,
Procurar o desconsolo,
Que cansei de conhecer
Novos dias tristes, noites claras,
Versos, cartas, minha cara
Ainda volto a lhe escrever
Pra lhe dizer que isso é pecado,
Eu trago o peito tão marcado
De lembranças do passado e você sabe a razão
Vou colecionar mais um soneto,
Outro retrato em branco e preto
A maltratar meu coração



quinta-feira, 4 de junho de 2009

Algo que jamais se esclareceu -
Onde foi, exatamente,
que larguei naquele dia mesmo o leão que sempre cavalguei?
Lá mesmo esqueci
que o destino sempre me quis só
no deserto, sem saudade, sem remorso, só,
sem amarras, barco embriagado ao mar

(Inverno - Adriana Calcanhoto)

quarta-feira, 3 de junho de 2009

amanhecendo

Um dia me disseram que os meus olhos eram de chuva e que a minha boca era de lua. Que os meus dentes eram leitosos e que os meus pensamentos eram uma noite confusa, sem sentido e sem fim.
Então eu criei um olhar grave.
Mas deixa, deixa que um dia eu vou me curar das minhas marcas. Deixa que quando for verão, eu mesma vou fazer sol. Vou estar maior que a montanha. Consertadas minhas asas, vou voar no infinito.

Talvez, talvez, só talvez,
Se você for digno,
Eu te leve comigo.