sábado, 7 de maio de 2011

um conto

Estava insegura ao se dirigir a um lugar tão arriscado, mas seguia as palavras do Mestre e, ao encontrá-lo, novo ânimo tomou-lhe o espírito e trouxe rubor à face.
Ele estava do outro lado do rio...
Falou que a jornada seria ainda difícil, mas que ela levasse consigo o peixe, que tirou do rio, para que se alimentasse e para que partilhasse, o pássaro, que desceu das árvores, e que diria dele, sempre que necessário, e ainda um cão, que atravessou o rio a nado, para que servisse de guia e de escudo.
E assim ela seguiu.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Marisa e o peixe.

Marisa se apaixonou por um peixe. Um peixe dourado, um peixe da cor do mel. Foi um peixe que viu na imaginação. Do seu coração fez um barco, e a sua busca iniciou.
Encontrou-o, no entanto, por trás de uma vitrine, em um aquário. Foi sem querer. Não teve dúvidas ao levar o aquário para casa. Admirava o brilho âmbar do peixe a nadar.
-Esse é um peixe sensível - pensou Marisa - tenho que ter cuidado ao trocar a água...
Antes fosse um gato, que ela pudesse afagar o pêlo.
Ainda sem tocá-lo, pensava ouvir a voz do peixe. Mesmo distante, mesmo contando com escassos encontros, o amor, a ternura, a fazia sonhar e a fazia feliz.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

note

Wouldn't it be better if you weren't so bad tempered and I such a fragilized woman? Or is it the contrary? I can't say. Are you a beast that lives inside me, or are you ready to rescue me?
Wherever you are, please recognize my smile, because I recognize your eyes.

Marisa, a parede, o Emanuel.

Meu nome é Marisa e eu tenho essa parede. Acontece que onde todo mundo vê uma pessoa, eu sei que só tem fragmentos. A parede em frente a mim me pede uma resposta. Preciso saber o que fazer com ela, mas esqueci como é que se pinta. Eu esqueci e também não quero mais pintar nada.
Eu entristeci. Não sei o que fazer da parede onde outrora pendurava quadros. Os mais bonitos nem eram meus, eram todos assinados por Emanuel.
E agora? O que faço? Colagem? Tem tanto papel no meu quarto que nem cabe.
Tem tanto tamanho em mim que ninguém sabe dizer se eu sou de maior, ou de menor. Ou deve ser a minha voz, ou deve ser o meu cabelo, ou as minhas roupas, essas coisas que reparam. O que me preocupa é a parede em branco.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Notícias do lado de cá

Nadei em águas transparentes e respirei novos ares. Foi tudo como eu quis, transparência e simplicidade. Não que eu tenha isso na minha vida, mas quem sabe um dia? Comi coisas que achei que me fariam mal, mas ficou tudo bem. Senti a falta de alguém. Eu chorei e rezei.

Vou permitindo novas esperanças nascerem e brincarem. Vou me acalentando, e fazendo acordos. Vou ficando ainda mais em silêncio. Vou de vestido vermelho. E enquanto meu coração ainda espera, eu vou dando passos.

Tenho saudades, mas vou deixando um tanto para depois.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

...

Que no ano que se inicia eu não esqueça que enxergar a si mesmo (coisa que tantos esquecem, ou deixam de lado) dá trabalho (palavra que tanto me repetem).
Que Deus me proteja durante as tempestades, durante as chuvas de lágrimas, e me regojize nos tempos de bonança. Que eu esteja sempre firme, não importa como queira o vento soprar.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Desenho

Todos gostam dos retratos de Sumire, a japonesa.
Na verdade nem sabia que Sumire era Sumire, até perceber que não era uma mulher oriental qualquer. Sumire de headphones. Sumire com flor no cabelo. Sumire com um bebê e estrelas (disseram que era Nossa Senhora). Sumire com uma estrela. De olhos abertos, ou fechados, como que meditando, com um sorrisinho mais leve.
Diz que a vida precisa ser vivida aos poucos, que era bom colocar vermelho no azul, que haverá ordem nos armários, e que as coisas caem do céu, para quem tem fé. A força vem lá debaixo do chão e vem do ar. É preciso aceitar a incompreensão com o olhar sereno de japonesa. Sumire é agraciada, pois nasceu com nome de flor e de cor ao mesmo tempo, com a face calma e um sorriso terno. Sendo um desenho, fica mais bonita a cada rabiscada.