domingo, 9 de maio de 2010

Escaras por roupa

Encontrei um velhinho que tinha escaras por roupa.
Andava pelo ônibus de máscara, balbuciando palavras que não puderam ser ouvidas.
Nas mãos trêmulas, uma lista extensa de medicamentos, que ninguém viu. Ninguém soube, ninguém viu, ninguém ouve.
Meu relógio marcava 12 horas. Passamos por uma igreja, e lá o sinos badalaram. Algumas pessoas se benzeram. Outras disseram: no meu relógio já são 12:01, será meu relógio ou os sinos que estão atrasados?
Eu quis dizer que Jesus estava no ônibus. Não disse.
Nada conseguido da exibição das escaras.
Talvez só mesmo esse texto.
Talvez só mesmo para mim, e para o que eu vi e senti.
Porque vi que mesmo assim, ao meio dia, exibindo as escaras, não, as pessoas não vão entender.
Elas não vão nem sequer, aliás, deixar de esbarrar em você.
E assim vão passando suavemente pela vida.
Como se o sol do meio dia não queimasse a nós todos.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

X'll mark the place

Where I end and you begin

Não sei colocar vídeos no blog, mas acima é o link para o vídeo no youtube.

"Where I End And You Begin"
Radiohead


"...I am up in the clouds
I am up in the clouds
And I can't and I can't come down
I can watch and cant take part
Where I end and where you start
Where you, you left me alone
You left me alone
X'll mark the place
Like the parting of the waves
Like a house falling in the sea"

Fantasminha

Sou um fantasma
Raramente sentido
Só finamente percebido
Sou uma rosa muda
Que não desabrocha nunca

Ah, falar, como quero!
Sou o fantasminha do quarto
Sou a presença que fica
O espírito que tenta,
Mas não se comunica

Não sou um orgulho de pais
Não sou um orgulho de mães
Não sou sequer um estande
Na feira das profissões
Sou ainda o que nasce:
Uma simples capacidade de amar
Fumacinha de corações

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Sobre as omeletes

Há dias que vejo tudo vermelho, que vejo tudo azul, que vejo tudo mesmo negro, porque acho que por dentro o que há é um grande cinza de indefinição.
Nesses dias é que eu cozinho mais. Geralmente eu faço omeletes.
Hoje eu fiz um macarrão muito elaborado para o almoço. O que me daria preguiça de fazer, sai sempre fácil e bom. Por uns instantes é como se meu espírito se desprendesse do meu corpo e fosse para aquele lugar, tão presente nas canções do mundo: strawberry fields, the end of the rainbow, sam's town...
Acabo de colocar um bolo no forno. Se tudo der certo, ficará fofinho e delicioso.
Algumas verdades, pelo menos pra mim e muita gente ainda, estão na cozinha, e são elas:
Tudo fica melhor com manteiga.
Tudo fica melhor com creme de leite.
Tudo feito com leite condensado tem tudo pra dar certo!

E com essas verdades, a gente que cozinha pode contar... No dia que a cozinha for um lugar incerto pra mim.. Não sei pra onde vou correr.

domingo, 2 de maio de 2010

Jennifer

(A The Killers tribute)

I was lost when I was nine
Just like I'm lost now
Cause I'm here in this heaven
That's so expensive to buy
My curls won't grow
Here in the ground
My hair will be roots
Grass in the field
So a beautiful boy could lay down on me
Cause I'm the nicest girl he had ever seen


The boy that I fell in love with
He bought me a halo, and these wings
But they were hard to bear
and the smells of the saints
they were just so hard to take
Still, I had to pay for the boy's sins
And I was lost when I was nine
Just like I'm lost now
Cause I'm here in this heaven
That's so expensive to buy
Now, the boy keeps my curl on the shelf
In the house that he grew up in
For my mom, and my friends
I'm Dear Jenny, and they miss me

sábado, 1 de maio de 2010

meu amor

Ah, não preciso não de metáforas para falar do meu amor. Meu amor tem uma linguagem própria e meu Amor me ouve, e me entende antes de eu dizer. Meu amor, eu amo, e amo até em silêncio. Meu amor e eu fomos passear.
Juntos vamos e um leva a mochila do outro.
E juntos sabemos que juntos chegamos.
De lá, mandaremos postais.

Do que eu não posso.

Você que nem mesmo me escreve propriamente, e me aparecem só seus bilhetes. Você, que nem mesmo se mostra, aparece em detalhes, em sorrisos falsos e olhares mortos. Você, que é frio e tosco, estragado por dentro de tanto tempo que ficou esquecido numa geladeira cheia. Você, esperto quem não come. Você, que nem mesmo é um homem. Ora, prefiro considerá-lo um bicho, pois o senhor para mim é assim um bicho homem, que nem pernas tem. Homem-cobra, você se esgueira e rasteja. Você, eu não posso.
Agora que entrou na minha casa e fez o seu estrago, espero que se retire, seja como homem, ou assim mesmo, como cobra. Pode sair sem me agradecer e nem olhar pra trás, que esse é o seu estilo.
Sei que é o que você queria, ó, criatura indefinida, mas não recebo você. Não vou tomar nada do seu veneno bobo, que se eu soubesse que ao menos servisse pra me dopar um pouco, mas não, olha que esse seu veneno é tão inútil, que nem mal faz ou engorda. Se você tivesse pernas, seu rabo saía entre elas. Aproveite então a falta delas e só saia mesmo, que eu vou arrumar minha casa.